segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Templo de Salomão


Escolhi este tema por me deixar curioso essa história de construção de réplica de templos e novelas na televisão sobre o tema (tudo bem que o dirigente da Igreja que está montando a réplica e da TV que está passando a novela é o mesmo...). Enfim... vamos ao que interessa
Construído em Jerusalém a 480 A. C., durante o quarto ano do reinado de Salomão, filho de Davi, o templo de Salomão (conhecido também como A Casa de Deus) teve como objetivo abrigar a Arca da Aliança e se tornar um templo de adoração e respeito a Deus, visto que o templo foi construído por ordem Dele diretamente a Davi.
   Dotado de grande sabedoria (por benção de Deus, conforme prometera Ele a Davi) coube à Salomão a incumbência de iniciar a construção do templo, aproveitando a época de paz que se encontravam os reinos vizinhos nesta época.
   Utilizando-se da aliança e amizade com Hiran, rei de Tiro, (conquistada através de anos de diplomacia e sabedoria) Salomão iniciou a construção com sua ajuda e parceria mútua. Enquanto Salomão fornecia insumos alimentícios proveniente de seu reino, Hiran fornecia mão de obra especializada e alguns insumos para construção do templo.
   Para a época, o templo foi uma grande obra de engenharia e arquitetura. Suas dimensões foram mensuradas em côvados. Côvado é uma antiga unidade de medida cuja medida compreendia a distância da ponta do dedo indicador até o cotovelo. Por motivos didáticos e para ilustrar melhor as proporções da construção, adotaremos aqui a proporção de um côvado para 45 cm, medida esta estimada pelo matemático russo Yakov Perelman (1882-1942).
   O templo possuía a forma de um quadrilongo de aproximadamente 365 m2. Sua construção era composta basicamente de blocos pedras, madeira e ouro e cobre em seus adornos.
   A importância da construção deste templo é refletida nas referências ao Templo de Salomão visto em templos religiosos (geralmente cristãos) até os dias de hoje.
   Resumidamente, esta construção é uma alegoria que demonstra claramente os princípios de retidão, amplitude e discernimento: retidão pelo comprimento da palavra em construir o templo; amplitude por usar e respeitar seus laços de aliança e amizade, envolvendo-os no processo; discernimento por saber que esta não era uma obra para seu reino e sim para toda humanidade; 

REFERENCIAS

1. A Bíblia Sagrada Cristã.
2. Álgebra Recreativa - Yakov Perelman.

domingo, 13 de maio de 2012

Fernando Pessoa e os poemas ocultistas


Já que publiquei aqui no blog um poema ocultista de Fernando Pessoa, acho que nada mais justo de postar aqui uma pequena pesquisa que fiz a respeito sobre esse assunto.

Fernando Pessoa, escritor e poeta português, nascido em Lisboa- Portugal - em 1888 e morreu em 1935.
Durante sua vida, Fernando Pessoa trabalhou em vários lugares como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, e ao mesmo tempo produzia suas obras em verso e prosa. 
Fernando Pessoa é conhecido por seus heterônimos e como ele conseguia manipular diferentes personalidades para cada um deles.
Os principais heterônimos de Fernando Pessoa são:
· Alberto Caeiro, nascido em Lisboa, e era o mais objetivo dos heterônimos. Buscava o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. É o menos "culto" dos heterônimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura.

· Ricardo Reis, nascido no Porto, representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos. Apoia-se na mitologia greco-romana; é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, porque a morte está à espreita.

· Álvaro de Campos, nascido no Porto, é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso. Campos era um engenheiro inativo, inadaptado, com consciência crítica.

Fernando Pessoa também é conhecido – um pouco menos é claro – por seus estudos sobre ocultismo e religião antiga.
Em um famoso artigo publicado no Diário de Lisboa em 4 de fevereiro de 1935, Fernando Pessoa deixa claro sua posição contrária a um projeto de lei que proibia a existência de associações secretas. Neste artigo, o escritor defende a Maçonaria, inclusive, fornecendo detalhes da constituição da ordem. Detalhes estes que apenas um iniciado na ordem poderia fornecer, porém, por motivos óbvios, ele não se declara um maçom.
Vários poemas do escritor conhecidos como “Poemas Ocultistas” demonstram um pouco da profundidade de seu conhecimento sobre o assunto. Dentre outros, cito como exemplo o poema Iniciação, de maio de 1932.
Outro fato relevante são correspondências escritas por Fernando Pessoa reunidas na obra “Pessoa inédito” de Tereza Rita Lopes (Lisboa, 1993), onde transcrevo um trecho autoexplicativo sobre o artigo publicado do Diário de Lisboa:
Por isso eu disse, legitimamente, que não pertencia a Ordem nenhuma. Não podia legitimamente dizer que não tinha nenhuma iniciação. Antes, para quem pudesse entender, insinuei que a tinha, quando falei de uma preparação especial, cuja natureza não me proponho indicar. Esta frase escapou, e ainda mais o seu sentido possível, aos iledores antimaçonicos. Só posso pois dizer que pertenço à Ordem Templária de Portugal. Posso dizer, e digo, que sou Templário portuguez. Digo-o devidamente autorizado. E dito, fica dito. (…)
Outras fontes indicam uma aproximação não só com a Ordem Templária, como à Rosa-Cruz e à Maçonaria, como em estudos realizados por Rogério Mathias Ribeiro no ano de 2009 (UFF) em sua dissertação de mestrado “Esoterismo e ocultismo em Fernando Pessoa: Caminhos da crítica e de poética”. Tais estudos mostram a missão da poesia ocultista de Fernando Pessoa como ferramenta para inferir seus conhecimentos no mundo profano (o nosso, no caso, aqueles não iniciados em nenhuma Ordem).
            Concluo este post sem poder realmente definir o real grau de ligação entre Fernando Pessoa e Ordens Iniciáticas. Mas posso concluir que este é mais um, de muitos, “buracos de coelho” que tenho a explorar e expor em trabalhos futuros.

INICIAÇÃO - Fernando Pessoa


   Quando temos a oportunidade de conquistas novos conhecimento e se dedicar ao estudo de novas ciências. Quando entramos em contato com mestres dispostos a nos fornecer informações e sabedoria, damos o nome de Iniciação.
   Iniciações são introduções a novos conhecimentos, são nossas aulas inaugurais na Universidade, aquele tutorial bem escrito que nos apresenta a novos conhecimentos ou até mesmo aquela palestra empolgante que nos faz cair de cabeça no assunto em questão...
   Novos conhecimentos iluminam nossas mentes, nos afasta das trevas da ignorância e nos transformam em pessoas melhores.

Deixo aqui uma transcrição de um poema ocultista de Fernando Pessoa para que possamos refletir...

INICIAÇÃO
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.

O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.

Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais:
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.

A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.

Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa - 1932