segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Agile Brazil 2012 - Lições aprendidas

   Dessa vez não pude deixar de ir. Seria muita "canalhice" em relação a minha responsabilidade profissional. Então fui com o firme propósito de prestigiar, reciclar conhecimento e aprender mais sobre métodos ágeis, Lean e empreendedorismo.


   Neste singelo post, tento ilustrar aqui minhas percepções sobre o que levei do evento como ensinamento.


   Infelizmente não era humanamente possível acompanhar a todas as palestras. Escolhi então as palestras que mais me agradavam os temas, todos relacionados a Gestão & Cultura, Desenvolvimento & Teste, Relatos de Experiência e Inovação & Empreendedorismo.

   Desde modo pude ver de tudo um pouco e acompanhar as palestras de profissionais de altíssimo nível, tais como Rodrigo Yoshima, meu amigo André Faria, Bruno Lui, Diogo Aguilar, Hamilton Fonte II, Joca Torres, Adreano Lanusse, Frabricio Buzeto, Antonio Paes, Ismael Soares, Matheus Haddad, Fernando de la Riva, Suelen Carvalho, Alisson Vale, Raquel Vilas Boas, Karinne Bezerra, Daniel Texeira, Rodrigo de Toledo, Paulo Silveira, Rafael Siqueira, McKay Thomas, Luca Bastos, Ivayr Farah Netto e Flávio Logullo. Sem contar os palestrantes dos Keynotes: Neal Ford, James Shore e Khawaja Shams (que ficou popularmente conhecido como o "cara da NASA", como todo o respeito!).

Lições aprendidas sobre: Desenvolvimento de Software

   Desenvolvimento de software é uma mistura de técnica e arte. Dom e habilidade. Independente de entrarmos em uma discussão filosófica a respeito desse assunto, alguns ponto são de extrema importância para que o ofício seja executado com o mínimo de profissionalismo:
  • Siga padrões: Não importa a linguagem que você utiliza para desenvolver seus software, siga um padrão. Não precisa reinventar a roda! Já tem vários por aí. Existem dois métodos de trabalho que gosto muito e são bem parecidos em sua essência que são o DRY e o SOLID. Conheça um deles pelo menos e siga suas recomendações e você terá um código fonte mais limpo, coeso, inteligível, de baixo custo de manutenção e o mais importante: PROFISSIONAL.
  • Seja responsável: Pela sua carreira, pelo seu conhecimento e pelos seus atos. Não transfira essas responsabilidades para terceiros, tais como seu empregador, seus colegas ou sua mãe... Lembre-se que tudo tem consequência e um dia você vai colher o que plantou. Reserve um tempo para estudar, experimentar novas técnicas e ouvir outros profissionais.


Lições aprendidas sobre: Gerenciamento/Controle de processos

   Lembre-se: Ao trabalhar com métodos ágeis (não importa qual exatamente), nunca se esqueça da origem: O manifesto ágil! Numa versão resumida e adaptada genericamente:

        Indivíduos e Interação <mais que> Processos e Ferramentas
             Valor entregue    <mais que> Documentação abrangente
    Colaboração com o cliente  <mais que> Negociação de contratos
Responder a mudanças   <mais que> Seguir um plano

   Logo, não estamos deixando de trabalhar com documentos e processos. Estamos valorizando e considerando as pessoas que fazem parte do processo. Estamos lidando sempre com Seres Humanos, ou seja, ego, medo, emoções, engajamento, coragem e recompensa. 

   Portanto, antes de de iniciar um processo de implantação de métodos ágeis, ou se as coisas não estiverem indo bem durante seu processo atual, lembre-se:
"Pessoas não resistem a mudança, pessoas resistem a serem mudadas" - Peter Senge
   Outra dica muito importante é quando o alto escalão da sua empresa é contra a implantação de metodologias ágeis. Como disse o próprio  Rodrigo Yoshima: "Pegue-os pelo bolso!"

Modelo econômico Lean 
   Basicamente, tendo uma métrica para mensurar os custos de transação, coordenação, carga de falha e por consequência, geração de valor, é possível geral um gráfico como este mostrado acima. Quanto menor é a áreas de geração de valor (verde) pior é o valor (produto) entregue ao cliente, logo, haverá desperdício de dinheiro em algum outro ponto da empresa para tentar reverter a situação. Pronto, você provou onde está o problema e justificou a necessidade de implantar o projeto.

   Mais uma coisa: Cada empresa é uma empresa. Cada equipe é uma equipe. São sistemas vivos, com interações próprias que exige respeito por parte do responsável pela implantação de qualquer método ágil. Deixe as conversas fluírem, deixe o trabalho acontecer, observe e adapte os processos conforme as necessidade e faça mudanças graduais, porém constantes, sempre buscando a melhor performance possível dentro daquele sistema. Tenha empatia com cada membro da equipe!

Lições aprendidas sobre: Empreendedorismo

   Aaaahhh... Empreendedorismo... Quem me conhece bem sabe o significado e o valor dessa expressão!

   Lean Startup é um conceito que a cada ano torna-se mais forte e com mais casos de sucessos. Para variar, receitas de bolo não existem. Mas existem alguns caminhos que podem tornar sua jornada um pouco menos árdua:

  • Teve uma ideia? Que lindo! Então teste sua ideia o mais rápido. Falhe o mais rápido possível para perder pouco, ou, se der certo, começar a faturar o quanto antes. Startups baseados em negócios Web possuem uma característica inerente que permite, com uma certa facilidade, realizar tais testes. Use criador de sites gratuitos, métricas e AdWords. Isso já lhe dá uma grande base de teste a baixo custo. Evitando falências prematuras e eternas desilusões.
  • Seus testes mostram que sua ideia tem futuro? Mas não tem dinheiro para começar o negócio? Iniciar um negócio já com dívida é algo muito ruim... Startups baseados em negócios web possuem outra característica inerente: baixo capital para iniciar o negócio. Faça bootstraping: abuse do Google Apps, servidores nas nuvens, sites que vendem serviços de design a preços competitivos, templates, móveis usados, etc... O importante é colocar sua ideia para rodar!
  • Cuide bem de seu cliente: Ensine-o a usar o seu produto. Alimente-o com informações. torne-se uma fonte de conhecimento antes ser um mero fornecedor. Isso gera fidelização, conversão e retenção do seu cliente. Use com sabedoria um blog e as redes sociais.

   Porém, aqui sim se faz necessário uma reflexão filosófica: Por quê você quer abrir uma empresa? Para quê  ter uma Startup?
  • Você visualiza algum problema que pode ser resolvido? Entenda visualizar o problema como vivenciar, tem contato, estar próximo do problema. Não conjecturar na existência de um provável problema em uma determinada área ou nicho de mercado.
  • Qual o tipo de recompensa você espera ter com o sucesso da Startup? A falha também pode lhe trazer benefícios, depende de quanto maduro você está. Faça um quadro SWOT que ajuda muito a levantar as respostas para essa questão.
  • Caso você não tenha como meta de recompensa o aspecto financeiro, imaginando que essa assunto já é um problema resolvido em sua vida, mesmo assim você quer iniciar uma Startup para resolver o problema?
   Ter uma empresa e/ou fazer parte de um quadro societário não é brincadeira. É uma grande responsabilidade que, em caso de falha, é punida com extremo rigor. Tal punição pode consumir anos da sua vida (em alguns casos, não poucos, sua vida inteira)! Por isso, creio que as perguntas acima ajudam a refletir (não a desistir) sobre suas ideias. Testando suas ideias de maneira sistemática, você terá grande chance de encontrar aquele problema que só você será capaz de resolver e com isso ter a possibilidade de ganhar dinheiro com isso!

Conclusões

   Como profissional, cada um de nós temos a obrigação moral de nos aperfeiçoarmos em nossas técnicas e metodologias. Porém, ao acumularmos mais conhecimentos, precisamos compartilha-lo para que nossos colegas, amigos e semelhantes possam evoluir conosco, não de maneira obrigada, mas ajudar aqueles que querem ser ajudados.

   Dessa maneira, o contato e o convívio com as pessoas são inevitáveis. Saber trabalhar em grupo, ter empatia, entender e distinguir atos racionais / emocionais, são características que todo o profissional tem que aprender a desenvolver, apesar de todas as dificuldades inerentes.

   No Agile Brazil 2012, ficou muito claro o empenho das pessoas ali presente em aprender não só técnicas e processos, mas como trabalhar com o ser humano. Como tratar com um membro da equipe, como trabalhar melhor suas idéias.

   Creio que a principal mensagem que fica desse evento é a interação entre as pessoas.

REFERENCIAS
1. Imagem do post. Site Agile Brazil 2012.
2. Imagem Modelo Econômico Lean: Rodrigo Yosima.












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